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Foi você que pediu um Porto Ferreira?

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30ª jornada e resumo da Liga Sagres

Sporting 3 - 1 Nacional * Para fim de campeonato ( sim, foi o jogo que terminou mais tarde nesta ronda final ) tivemos um jogo bem disputado, em que a única emoção extra poderia ser o duelo Liedson vs. Nené, mas que acabou por ser aproveitado pelo ninja Derlei para brilhar, se bem que aquele golão do Nené foi uma cereja muito saborosa. Em relação à partida, houve algum equilíbrio em termos gerais, se bem que os golos madrugadores tenham “estragado” a atitude que se vislumbrava por parte dos madeirenses. A redução no marcador, aliada a alguma instabilidade leonina, fruto da pouca rotina exibida entre os seus jogadores, ainda deu ao Nacional algum alento, mas por outro lado o Sporting conseguiu serenar e manter algum controlo do jogo, não sem evitar alguns sustos e que até justificariam outro resultado. Aceita-se a vitória do Sporting, apesar de tudo, excepto pelos números, pois não existiu diferença entre as exibições que justificasse o marcador final.
Os leões alcançaram o 2 º lugar neste campeonato, uma posição merecida, parecendo que ficaram algo entalados entre uma boa 1ª volta do Benfica e a reacção determinada do Porto na 2ª volta. Com alguns problemas durante a época em especial no seu meio campo, Paulo Bento passou por dificuldades devido ao não funcionamento do seu losango, conseguiu gerir bem as lesões defensivas e contou com os sempre activos e eficazes Derlei e Liedson para decidir muitos jogos.
O Nacional, mais do que uma surpresa, contou com uma boa orientação técnica, com alguns jogadores que chamaram a atenção, com uma estrutura forte e organizada o suficiente para alcançar um honroso 4º lugar e ainda contou com um Nené prateado, que mostrou qualidades surpreendentes na sua 1ª época em Portugal.

F.C. Porto 1 - 1 Sp. Braga * O jogo da consagração do campeão, evidentemente um jogo a feijões, sem a motivação que justificasse a pouca estória que teve esta partida. Não fosse o Braga ainda correr para algo e talvez maior tranquilidade existisse para que este jogo fosse mais aberto. Mas a festa fez-se na mesma, o golo trapalhão de Farias abriu o champanhe, que não foi desperdiçado perante o empate. Ainda houve tempo para uma amostra de Hulk, um motor com turbo neste campeonato, talvez a maior surpresa e com impacto no decorrer da época portista. Mais uma que correu bem para os dragões, depois de um início muito atribulado, em que se chegou a pensar que as saídas de jogadores importantes tinham feito mesmo mossa. Algumas opções de Jesualdo Ferreira nas primeiras jornadas pareceram estranhas e transmitiram instabilidade para os adeptos do clube, mas que acabou por esmorecer ao longo do campeonato, conforme o Porto ia crescendo e ganhando vantagem na luta pelo título. E assim, com todo o mérito, se junta mais um troféu nas décadas de conquistas - a estabilidade e a boa organização são mesmo importantes. Quem pediu um Porto ( do ) Ferreira?
O Braga fez uma época ao nível das últimas, embora tenha sido suplantado pelo Nacional e pelo Benfica. Mesmo assim, foi globalmente muito positiva, com uma prestação surpreendente na UEFA, alcançando o título na Taça Intertoto e conseguindo jogar de igual para igual, até mesmo batendo o pé a alguns clubes com pergaminhos europeus. A nível nacional, passou por um período em que o cansaço fez a equipa tropeçar, mas de resto mostrou ter um bom plantel, até mesmo com um banco à altura de substituir eventuais titulares, o que até permitiu alguma gestão positiva do plantel, algo complicado para clubes que não se inserem nos parâmetros dos 3 grandes. Jorge Jesus conseguiu explanar todo o seu potencial táctico, a equipa também lucrou com isso e teve momentos brilhantes ao longo da época.

Benfica 3 - 1 Belenenses * O Benfica entrou pressionante no jogo mas quem marcou cedo foi o Belenenses. Uma rajada de esperança invadiu os azuis, que contudo não esperavam uma exibição mais segura e eficiente por parte dos encarnados, assente no irrequieto Maxi, no imprevisível Urreta e no incansável Katsouranis. Fellipe Bastos acabou por ser uma aposta ganha por Quique, depois de uma substituição algo estranha, mas que acabou por garantir maior capacidade de pressão no meio campo, além do golaço que virou o jogo. Os de Belém ainda mantiveram algum bom senso no seu jogo, mas perderam-no por completo perante a estupidez de Saulo e a incapacidade em manter o Benfica longe da sua área. Para acabar em beleza, só mesmo com o habitual golo do Mantorras.
A época encarnada foi recheada de esperanças, depois da aposta num treinador jovem e ambicioso e da escolha de alguns nomes sonantes que poderiam trazer as chamadas “coisas bonitas”. Mas, depois de uma 1ª volta em que se aproveitou a atrapalhação portista e a indecisão leonina, o desastre na UEFA fez vacilar uma equipa em que o treinador cometeu alguns erros básicos e em que alguns jogadores não mostraram mais do que apenas o “nome”. E o 3º lugar foi a posição devida, perante tanta instabilidade exibicional e tantas dúvidas na escolha do melhor 11, além dos reposicionamentos de alguns jogadores que não funcionaram muito bem.
O Belenenses volta a cair de escalão, um histórico que sofreu dias de incerteza a nível directivo e financeiro, e que sem dúvida tiveram algum impacto neste final. Mas o pecado maior vem da pré-época dos azuis, que contrataram uma resma de jogadores sem qualidade, em conjunto com um treinador que nada trouxe de bom. O virar da página em Janeiro pouco modificou o aspecto qualitativo, as correcções não foram suficientes e a equipa arrastou-se num vazio de ideias, organização e qualidade. Silas e Zé Pedro, elementos acima da média, não chegaram para manter o Belenenses entre os grandes, espero que alguém se lembre de manter estes jogadores na Liga principal.

Rio Ave 2 - 1 E. Amadora * Um jogo que poderia ser complicado para os vilacondenses tornou-se uma tarefa acessível, por via do esforço e dedicação da equipa, que desde o início do jogo pressionou o Estrela, dando poucas hipóteses para respirarem com tranquilidade. Mesmo a vencer por 1-0, o Rio Ave continuou na sua labuta, de forma a não deixar qualquer dúvida sobre a sua permanência na Primeira Liga, enquanto os homens da Amadora tentaram reagir com a entrada de Varela, mas sem sucesso, apesar de reduzirem o marcador, o que pouco incomodou os convictos vilacondenses.
O Rio Ave conseguiu assim manter-se no escalão principal, com muito mérito por via de uma recuperação estupenda na parte final do campeonato, depois de uma época quase inteira lá por baixo. Mais uma vez, Carlos Brito é o homem do sucesso, a devida vénia lhe deve ser feita, transformou um plantel quase descrente num conjunto de batalhadores, que foram ganhando confiança com o acumular dos pontos.
O Estrela fez uma boa época, tendo em conta as dificuldades financeiras, pois os seus jogadores foram sempre profissionais, mostraram brio e lutaram para alcançar uma tranquilidade na tabela que lhes poderia garantir tempo para outras lutas. Sabe bem ver jogadores a esforçarem-se para jogar bom futebol mesmo não recebendo ordenados, acho que esta situação grave no futebol tem de terminar, até para que o campeonato seja mais justo e leal.

Naval 2 - 2 V. Setúbal * Jogo de nervos, principalmente para os sadinos, que cedo viram um opositor directo em vantagem, mas foram determinados na procura de um resultado positivo, enquanto que do outro lado estava uma Naval apática, sem fio de jogo, e que chegou injustamente à vantagem num golo de penalti. O Vitória conseguiu virar o jogo, mostrou mais e melhor qualidade de jogo, vontade e tranquilidade para alcançar a vantagem. Só o golo de Marinho estragou uma vitória que seria justa para os já na altura festivos setubalenses.
A Naval fez uma 1ª parte de época segura, parecia voar para um campeonato tranquilo, mas a 2ª volta trouxe dificuldades, os últimos lugares ficaram mais perto e pode-se dizer que a equipa acabou a época com alguns problemas, que só não se avolumaram por causa da pontuação arrecadada na 1ª volta.
O Setúbal, tal como outros, envolto em problemas financeiros, fez um campeonato algo semelhante ao da Naval, se bem que em termos de plantel me tenha parecido ter mais qualidade, que poderia ter sido suficiente para garantir mais cedo um balão de oxigénio. Mas o treinador residente conseguiu motivar a malta, e pese alguns problemas e dilemas com substituições em jogos com os grandes, os serviços mínimos foram assegurados.

P. Ferreira 1 - 0 Trofense * Jogo fatal para o Trofense, que sempre foi para mim a pior equipa deste campeonato, e neste jogo justificou esse estatuto, pois nem perante tanta descontracção do Paços nem perante as ajudas alheias a equipa se motivou, passou a imagem de derrotada, o que também acabou por acontecer neste jogo, embora o Paços também não mostrasse muita vontade, certamente pensando num jogo mais cativante.
O Paços acabou por ser o melhor das equipas que ficaram pelos fundos, aqui e acolá acossado pela linha de água, mas nunca sem grande perturbação. Com uma aposta em jogadores rápidos, a equipa navegou pelo campeonato com altos e baixos, mas terminando de forma tranquila.
O Trofense pouco mostrou, a não ser alguns resultados surpreendentes com os grandes ( a motivação conta ). Nitidamente com um plantel de baixa qualidade, combateu com o Belenenses pela lanterna vermelha. Cada vez mais as equipas que sobem de escalão têm de perceber que se devem reforçar melhor para não descerem logo no primeiro ano. Considero que a aposta em Tulipa também não foi a ideal, e tirando poucos casos de relativo sucesso ( Valdomiro, Hugo Leal e Hélder Barbosa ), o plantel está bem na Segunda Liga.

V. Guimarães 3 - 2 Académica * Jogo movimentado, com golos, alguns bem bonitos, em que as equipas não se acomodaram à tranquilidade da classificação, esmerando-se para deixarem uma boa impressão no último jogo da temporada. E conseguiram. A Briosa alcançou a vantagem quando as equipas ainda se ambientavam, depois colocou em campo a sua virtuosidade, embora com uma quebra notória na 2ª parte. O Vitória demorou a assentar o seu jogo, só no 2º tempo passou a deter os cordelinhos do jogo, justificando a vantagem no marcador, embora um empate também não fosse nada de estranhar.
O Guimarães, depois de na época anterior ter sido a revelação, desta vez surpreendeu pela negativa, sendo talvez uma das desilusões deste campeonato, a par do Marítimo. Depois de uma 1ª volta desastrada, a equipa pareceu assentar na volta do campeonato, mas rapidamente voltou a ineficácia táctica e alguns resultados desfavoráveis atiraram o conjunto vimaranense para um pouco lisonjeiro 8º lugar.
A Académica fez um campeonato como já não víamos à muito tempo, passando por alguma instabilidade na 1ª volta da Liga, mas estabilizando de forma positiva, apresentando um futebol apoiado, com uma boa organização no meio campo, diversas vezes vimos a equipa a pressionar, com jogadores rápidos na frente e com uma táctica sólida, fruto do excelente trabalho do seu treinador. Talvez a falha maior nesta equipa tenha sido a falta de firmeza defensiva em algumas alturas, que causaram alguns percalços, não permitindo uma posição na tabela ainda mais agradável.

Leixões 1 - 0 Marítimo * Um jogo pouco motivante para quem se dispôs a vê-lo. Sem chama, sem ritmo, sem querer. Mesmo assim, é de assinalar que o Leixões, talvez motivado pela excelente campanha e por estar a jogar em casa no último jogo do campeonato, fez um esforçozinho extra para mostrar que o que fez durante a época não foi em vão. Conseguiu um golo, um raro momento de espectáculo, e ganhou o jogo, sem que o Marítimo disfarçasse uma crise de atitude e de qualidade.
Este Leixões chegou à Liga Sagres de mansinho, esteve várias jornadas na 1ª posição, espantando meio mundo e mais um bocadinho, e mostrou que com algumas peças combativas e mais algumas com jeito para tratar a bola se pode construir uma boa equipa, que deu cartas além da 1ª volta, mas não conseguiu suportar a pedalada dos concorrentes, embora conquistando um justíssimo 6º lugar e uma posição de destaque no coração dos aficionados do futebol.
O Marítimo, como já disse, foi uma das desilusões da temporada, com um começo de época ( incluindo a pré-época ) algo parecida com a do Belenenses, embora com mais jogadores de qualidade, mas que demoraram a perceber o que pretendia o seu técnico. Supondo que ele nada pretendia, foi substituído pelo Carvalhal, esperando dessa maneira que existissem melhorias. Essa ilusão durou pouco tempo, e a equipa nunca apresentou um futebol dinâmico nem agradável, apesar de possuir entre as suas fileiras, como já disse, bons jogadores. É talvez também o mistério deste campeonato, pelo que o melhor será perceber o que correu mal e rectificar na próxima época.

Esperando que não existam alterações na tabela por motivos fiscais, termino as minhas crónicas para a época 2008/2009, dando os parabéns ao justo campeão e esperando que a próxima época seja mais sossegada em termos de arbitragens, salários em atraso, problemas directivos, polémicas e afins ( tá bem, abelha! ). Também para a próxima temporada peço que seja dado o devido destaque à qualidade demonstrada dentro de campo, se ela existir… Até breve!

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